sexta-feira, 20 de março de 2015

'Tem que inovar pra se manter', diz Paulinha do Calcinha Preta; Grupo faz show nesta sexta

Paulinha (2ª à esq.) fala sobre show no Armazém


Considerada uma das maiores bandas de forró do Brasil, a Calcinha Preta se apresenta nesta sexta-feira (20), no Armazém Vilas, em Lauro de Freiras. A banda sergipana, que é a principal atração da festa ‘Forró de Vilas’, divide o palco com a dupla sertaneja Léo e Thiago e a Seu Maxixe, a partir das 22h. Em conversa com o Bahia Notícias, Paulinha Abelha, vocalista da banda, falou sobre como é fazer sucesso mesmo depois de tanto tempo. "Hoje é mais difícil fazer sucesso. Quando o Calcinha Preta surgiu, tinha Calcinha Preta, Mastruz, Magnificos, tinha o Calypso que não é forró, mas concorria. Eram poucas bandas. Hoje o mercado está muito competitivo, todos os dias surgem bandas diferentes, é mais difícil iniciar uma história nos anos de hoje. Como o Calcinha Preta tem uma história muito consolidada no mercado, a gente procura sempre inovar para se manter. Em termos de músicas, estilos. Agora mesmo estamos fazendo o ‘Calcinha Prime’, que é um projeto novo, vão ser músicas dos outros, misturadas com as nossas, porque não podemos fugir dos nossos romantismos, das nossas raízes. Enfim, hoje é mais difícil fazer sucesso, e se manter, é mais difícil ainda. Porque um produto surge, desponta nas paradas, faz sucesso e depois sai da mídia porque surgiu outro", contou.


Paulinha destacou também que a mudança do forró é uma coisa natural, que surge a partir da mudança de gerações."Acho que tudo tem seu tempo. Houve o tempo do romantismo, como houve o tempo dos anos 60, que tinha a coisa da 'la bamba'. Pra mim é coisa da geração, sabe? Veja o rei Roberto Carlos: se ele tiesse ficado só com as músicas antigas, digo, sendo tocadas daquela forma, se ele não inovasse com o tempo - sem perder as raízes dele, sem fugir do que o nosso rei sempre cantou - não sei se aconteceria. Pra você ver que ele canta sucesso de 50 anos atrás, mas com uma roupagem nova, né? Se você fica só fazendo a mesma coisa o tempo inteiro, eu acho que as gerações e estilos vão surgindo e mudando e você fica pra trás. Veja Roupa Nova, Roberto Carlos... vários artistas velhos do nosso país que são ícones, e se mantém até hoje". A sergipana ainda fala da relação e referência do Calcinha Preta com as bandas mais novas do gênero nordestino. "Não sei se se os inspiraramos. Eu acho que as bandas de hoje tem um certo respeito por nós. Todo mundo respeita muito a gente, somos muito amigos. Wesley, Cavaleiros, Aviões.", comenta. Mas apesar de aprovar as mudanças, a cantora - que lidera o Calcinha Preta junto com Silvânia Aquino, Marlus Vianna e Adriano Sill - se mostra saudosa do romântismo característico do grupo. "Hoje as pessoas que ouviam Calcinha Preta há 10 anos já estão casadas, muitas delas, já tem filhos, etc. Os filhos dessas pessoas estão acostumados a ouvir Wesley Safadão, Aviões do Forró. E os pais querem ouvir a Calcinha, o Limão com Mel, Mastruz com Leite; aquela coisa do tempo que eram adolescentes. Isso aí resgata um pouco a história dessas bandas, nós, que fizemos o início da história do forró. Desse forró eletrizado. O Luiz Gonzaga, é claro, é o Rei do Baião, veio fazendo forró há muito tempo, a Elba Ramalho também. Mas esse forró eletrizado, eletrônico, surgiu nos anos 90. Então, muitos jovens hoje, não sabem direito da história. Porque os filhos das pessoas que iam pra festa da gente vão ter a oportunidade de ver a Calcinha Preta, só que mais modernizada, adaptada a época atual", comenta Paulinha, que ainda elogiou o 'versionista' da banda. "O Gilson Andrade é um dos melhores em versões. Ele fala a língua do povão... não é uma coisa que você coloca palavras rebuscadas, muito bonitas. Perceba: 'Paulinha, me diz o que eu que eu faço? Paulinha, porque se casou?' é uma coisa bem povão, né?.  As pessoas gostam muito de entender, se identificar - a verdade é essa", explica, justificando o porque do grande sucesso da banda. 



Para o evento, a Calcinha Preta promete animar o público com seus sucessos e músicas que são hits do momento. "Teremos músicas da gente. Porque as pessoas vão para o show para ouvir as nossas músicas. A gente gravou agora recentemente o Calcinha Preta CD de Verão, que foi justamente pro Carnaval, o forró perdeu o aspecto de ser só no São João. Essa coisa de show só em maio, junho, julho não existe mais, temos shows o ano inteiro. Vamos fazer as músicas que são sucesso, é claro. Henrique e Juliano, o próprio Wesley com o Camarote, Cavaleiros com o Gelo na Balada, o Leo Magalhães... A gente toca música dos outros. Mas o repertório é 70% Calcinha Preta. As pessoas vão para isso, até quem não conhece, porque ouve a Calcinha Preta e se for pesquisar percebe que nos modernizamos com o tempo", finalizou, sem esquecer de engrandecer o público baiano. "A Bahia abraçou o Calcinha Preta de uma forma, como se nós fossemos produto daí. A Bahia é muito importante. Muito, muito importante na história da Calcinha Preta. Nosso primeiro DVD foi aí e foi inesquecível. Fomos a primeira banda de forró a gravar um DVD, que não tinha. Então assim, na terra do axé, com mais de 100 mil pagantes? A gente tem uma gratidão eterna por Salvador. Estamos cogitando gravar o nosso DVD de 20 anos aí. Porque o carinho que Salvador, a Bahia, tem pelo Calcinha Preta é diferente. Eu amo, sou apaixonada pela Bahia, é diferente. Quando a gente ouve as pessoas falarem de Calcinha Preta os olhos brilham, a gente retorna no tempo, volta pra 2003. Que foi quando gravamos o primeiro DVD da banda". Os ingressos custam R$ 50 (pista), R$ 70 (área VIP) e R$ 80 (camarote) e podem ser adquiridos na casa de shows, localizada em Vilas do Atlântico, e nos principais balcões de vendas dos shoppings.

por Aymée Francine




.

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...